A importância da mulher no meio tecnológico

Recentemente, na ART IT, fizemos um processo seletivo para a contratação de dez estagiários na área de desenvolvimento de software. Os únicos pré-requisitos para as vagas eram que os candidatos estudassem em um curso superior na área e demonstrassem vontade sincera de aprender. Diversos currículos foram recebidos e realizamos dois dias de entrevistas e dinâmicas de grupo para finalizar a seleção.

Após a contratação dos dez estagiários, a empresa divulgou fotos nas redes sociais que mostravam os novos colaboradores em treinamentos internos. Em uma das postagens, recebemos um comentário enfatizando que só havia homens na foto. De fato, nesse processo seletivo, recebemos currículos de mulheres, as convocamos para as sessões de entrevista e dinâmica, mas infelizmente nenhuma delas compareceu.

Ao ler o comentário, imediatamente me lembrei de um processo seletivo de estágio para desenvolvimento de software realizado cinco meses antes. Foram quatro finalistas para duas vagas, duas mulheres e dois homens. As duas mulheres foram contratadas, porque era nítida a vontade delas em entrar na área. Na entrevista, demonstraram amadurecimento e uma visão em longo prazo do que elas almejavam na carreira, diferentemente dos outros dois candidatos.

Na área de TI, infelizmente temos uma representatividade maior de homens, e o principal fator disso é cultural. Quando crianças, as mulheres não são estimuladas a desenvolverem a lógica como os homens. É raro ver uma menina brincando de Lego, por exemplo. Ao invés disso, em uma rápida pesquisa por brinquedos na internet, são destacados para as meninas aqueles que imitam utensílios domésticos.

Felizmente, nadando contra a correnteza, algumas conseguem se destacar. Há mulheres que comandam grandes empresas de tecnologia, como Susan Wojcicki, CEO do YouTube, Ginni Rometty, CEO da IBM, e Marissa Mayer, que foi CEO do Yahoo!. Elas são exemplos de que as mulheres vencem fatores ambientais que levam várias empresas a frear a ascensão delas em prol de homens não qualificados.

Muitos não sabem que as mulheres sempre tiveram um importante papel na tecnologia. Ada Lovelace escreveu o primeiro algoritmo da história, Radia Perlman criou o protocolo STP, e a Irmã Mary Kenneth Keller foi a primeira a se graduar doutora em ciência da computação além de contribuir para a criação da linguagem BASIC para fins didáticos.

Bons profissionais existem independentemente do gênero, credo, raça, opção política, sexual ou ideológica. Do ponto de vista ético, é importante que as empresas avaliem o potencial dos candidatos e deixem outras questões de lado.

Hoje, as organizações buscam inovação para conseguir sobreviver e se manterem competitivas no mercado. Isso não será possível se elas não tiverem diferentes visões contribuindo com ideias e colaborando para uma melhoria contínua dos produtos e serviços. Um dos muitos pontos fortes das mulheres, por exemplo, é sua percepção de enxergar sutilezas que agregam muito na tomada de decisões e na resolução de problemas.

*Tiago Wenceslau trabalha na gestão de projetos da ART IT

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