A sustentabilidade do mercado de trabalho de tecnologia passa pela contratação de profissionais com outras formações

Quem comanda empresas de tecnologia da informação no Brasil sabe muito dos atuais problemas relacionados à falta, ou supervalorização de profissionais neste setor. Se o alerta não vem por meio da mídia, que aborda frequentemente um provável “apagão de mão de obra na superfície de tecnologia”, vem da sua própria superfície de recursos humanos.

Com o home office funcionando a todo o vapor, o mercado de trabalho em TI deixou de ser sítio para ser global, e o assédio a funcionários vem de todos os lados.

O resultado é que esse gestor se sente como se estivesse em um jogo de “Rouba-monte” (quem é que não brincou disso na puerícia, ou com os próprios filhos?). Depois ter um talento “roubado” por outra empresa maior, se vê obrigado a buscar outro no mercado, desfalcando, assim, outro negócio, muitas vezes de menor porte, do mesmo setor. Por mais que pareça um bom sinal de aquecimento do mercado, leste tipo de prática alavanca salários a níveis impraticáveis e só tende a atravancar o desenvolvimento da TI no Brasil.

Mas porquê solucionar leste grave problema, se os meios naturais de formação de mão de obra (o ensino técnico e as faculdades) não dão conta nem de longe do recado, e os programas sociais baseados em e-learning, que são muito bem-vindos, ainda não conseguem atender às necessidades das empresas?

O sigilo, em minha opinião, é formar profissionais dentro de vivenda, ainda que seu bacharelado ou ensino técnico não sejam em áreas relacionadas à tecnologia. Empresas porquê a ART IT, em que sou sócio e diretor de RH, têm conseguido fazer a transição destes profissionais com sucesso. Mas por que isso é provável em uma superfície tão técnica, reconhecida pela dificuldade de seus dados e linguagens?

Dois pontos são fundamentais para responder a essa pergunta. O primeiro é que, em muitos negócios, e para certos projetos, as chamadas soft skills – características não técnicas ligadas ao comportamento do profissional, porquê liderança, informação e resiliência -, são mais importantes do que as hard skills – aí sim os conhecimentos técnicos, porquê a capacidade de programação, trabalhar com dados, etc.

O segundo ponto é que codificar não é assim tão multíplice porquê era antigamente. Novas linguagens e tecnologias, hoje amplamente usadas em computadores e celulares, já foram criadas pensando na simplicidade de construção. Gerar um software, desenvolver uma plataforma para a web ou integrar duas aplicações deixou de ser um bicho de sete cabeças.

Dentro desta lógica, vejo o mercado de TI amplamente acessível a profissionais de qualquer superfície de formação, e que tenham vontade de se aprofundar, aprender e crescer neste grande mundo da tecnologia. Na visão das empresas de tech, se você tem as características comportamentais necessárias para uma vaga, ensiná-lo a trabalhar com a secção técnica vale a pena para as duas partes – para a empresa, que poderá ter um profissional capaz no médio prazo e para o candidato, que pode ingressar em uma curso promissor.

Seja você um jornalista, um matemático, jurisconsulto ou biólogo, seu horizonte pode estar na superfície de tecnologia. Que sejam muito vindos aos bits & bytes.

Por Anderson Xavier, sócio e diretor de RH da ART IT.

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