A transformação digital está acontecendo muito rápido. Você conhece essa história?

Transformação digital

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Gleiner Crivelini

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Decidi escrever sobre a transformação digital para que vocês vejam o quão inacreditável e surpreendente ele é. Para começar, saiba de duas coisas muito importantes:

A primeira é que a Transformação Digital é muito, muito, muito mais importante para a Humanidade do que a Revolução Industrial, no que diz respeito às consequências da aplicação do conhecimento. A segunda é que pouca gente está se dando conta de que ela está acontecendo e quais podem ser essas consequências.

Mas afinal, o que é a Transformação Digital? Além de maior que a Revolução Industrial, ela possui efeitos irreversíveis (a Industrial também teve) e impactará (ou melhor, está impactando) os menos afortunados de forma vertical e horizontal (a Industrial só de forma horizontal).

A Transformação Digital está promovendo modificações na vida humana de tal abrangência que ainda não se pode definir o horizonte. A Transformação Digital aplica-se a toda uma civilização. É abrangente demais para não ser percebida. É a marca de toda uma “Era”. O MIT (Massashussets Institute of Technology) sugere como sendo “o uso da tecnologia para melhorar radicalmente o desempenho ou o alcance das empresas”.

A questão é: você já prestou atenção na potência dessa tecnologia que está à disposição dessas empreitadas? Já pensou, porque foi possível passar a controlar máquinas, objetos, utensílios, comunicações, transmissões, aparelhos eletrônicos quaisquer, computadores, dispositivos, etc., de forma digital? Isso só poderia resultar em um poderoso desempenho e num alcance inimaginável para as propostas a que se aplicam essa tecnologia.

Como tratam-se de máquinas, equipamentos e dispositivos eletrônicos, a forma conseguida para um controle definitivo é o controle “digital”, ou seja, a partir de suas bases. Tudo por causa de uma “sacada genial”: a escolha da linguagem mais eficiente para ser utilizada nos computadores: a linguagem binária.

Os computadores de hoje são os responsáveis por toda essa nova era: a era digital. Mas eles começaram muito precariamente, mesmo para a época. Era fantástico para os seus idealizadores assistirem à máquinas, mesmo ainda muito rudimentares, efetuarem cálculos em dez, cinco ou, até mesmo um segundo. Até vejo o brilho nos olhos de George R. Stibitz enquanto aguardava sua máquina calcular e exibir os resultados das operações confiadas a ela, nos laboratórios da Bell Telephone Laboratories onde trabalhava como pesquisador Matemático, na década de 1930, em New York. Mas um segundo para se obter o resultado de uma adição simples ainda era muito tempo.

O primeiro a desenvolver máquinas de cálculo controladas automaticamente foi o engenheiro civil Konrad Zuse (1910 – 1995). Eram máquinas mecânicas movidas a motor, todas compostas de manivelas, engrenagens e mostradores roliços feitos de grossas arruelas numeradas na borda circular. Era o início dos computadores.

Ainda em 1937, nos Estados Unidos, dois outros matemáticos também se entretinham com o problema da computação: Howard Aiken, em Harvard, e George Stibitz, nos laboratórios da Bell Telephones. Eles queriam componentes eletromecânicos que pudessem ser usados na computação de cálculos. Observe, tudo ainda mecânico!

O computador até setenta anos atrás era mecânico. Porém, a jogada de mestre foi a aplicação da linguagem binária na constituição do sistema geral de operação num computador.

O genial matemático Gottfried Leibniz (1646-1716) não foi o primeiro a inventar o sistema binário atualmente utilizado por nossos computadores e eletrônicos. Os nativos de Mangareva, uma pequena ilha da Polinésia, se anteciparam a ele em vários séculos. Os mangarevenses não tinham a menor intenção de inventar a informática, mas se deram conta de que o sistema decimal herdado de seus ancestrais – como o nosso – acabava sendo muito inconveniente para fazer os cálculos no mercado, e a ele acrescentaram um sistema binário que facilita muito as operações aritméticas mais comuns. Também Leibniz argumentou que seu sistema binário servia para simplificar as contas, mas ninguém lhe deu ouvidos.

Não se trata do primeiro sistema binário conhecido da era pré-Leibniz – os próprios hexagramas do I-Ching que inspiraram o grande matemático alemão constituem um sistema binário e têm quase 3000 anos, mas Andrea Bender e Sieghard Beller, do Departamento de Ciência Psicossocial da Universidade de Bergen, na Noruega, mostram agora como os habitantes da Mangareva não só inventaram o sistema para contar peixes, frutas, cocos, polvos e outros bens de diferente valor em suas transações comerciais, como também a condução a uma aritmética binária que teria merecido a aprovação do Leibniz por sua simplicidade e naturalidade.

Onde está a tal grande jogada? Está no seguinte: Quando os computadores ainda eram máquinas mecânicas foi descoberto que, com “zeros” e “uns” combinados em jogos de, por exemplo, oito (um byte), seria possível compor qualquer número individual, letra de nosso alfabeto ou uma grande quantidade de símbolos de uso constante nos idiomas modernos ou úteis na formação de figuras. Bastava que se agrupasse em jogos de oito e teríamos um jogo de bits que representa dezesseis possibilidades de ser associado a símbolos de nossa necessidade, como, por exemplo, uma letra de nosso alfabeto, um som de uma certa duração, um símbolo matemático, etc. Vários desses conjuntos poderiam representar uma palavra de nosso idioma ou um som ou mais sons de duração maior, ou um pixel de imagem de figura.

Quando os computadores começaram a se tornar máquinas eletrônicas havia a grande possibilidade de seus criadores se encantarem com a possibilidade de querer representar os símbolos com escalas de carga elétrica. Poderia ter sido uma ideia bem atraente, mas se assim tivesse sido, teríamos aberto mão do sistema binário e, eles ainda não sabiam, pois a questão do armazenamento de dados em massa ainda não era uma realidade e, quando ela chegasse, segundo aquele padrão enganoso e custoso de representação de símbolos, os dispositivos só conseguiriam armazenar dados se tivessem sua própria alimentação elétrica constante.

Como você pode ver, a transformação começou há algum tempo, e de lá para cá, tem sido uma constante chuva de inovação, de novidades tecnológicas e, também, de modificações sociais em nossas formas de trabalhar, conviver, comer, vestir…E isso é só o começo!

Por Gleiner Teruel Crivelini

É Desenvolvedor da ART IT, especializada em soluções e serviços de TI.